sexta-feira, 7 de março de 2014

Uma aventura inesquecível


Numa bela tarde de verão, estava deitada na minha espreguiçadeira a pensar na minha infância, quando alguém me bateu no ombro suavemente. Era a Catarina (uma rapariga um pouco mais alta do que eu, com olhos verdes e cabelos loiros), a minha melhor amiga.

         -Descobri uma nuvem mágica no alto daquela colina.       
           Queres ir até lá?-perguntou-me a Catarina muito entusiasmada.

         -Mágica? Estás a delirar!? -disse eu admirada, mas ao mesmo tempo muito curiosa.

         -Não acreditas? Então, vamos até lá. -desafiou-me ela.

         Peguei no carro (sim eu sei, pensam que ainda sou uma criança, mas já tenho 22 anos) e lá fui eu a caminho da tal colina que a minha amiga apontou.

         Pelo caminho, encontrei um homem com aspeto horrível, tinha um chapéu muito rasgado, roupa rota e cheia de nódoas. Como não tinha a certeza do caminho, parei, dirigi-me ao tal homem a quem perguntei:

         - Desculpe, para se ir para o cimo da colina, posso seguir em frente?

        O homem não me respondeu, sorriu, apontou para uma placa e acenou-me. Então, eu segui o meu caminho.

         Quando cheguei ao final da estrada, mesmo no cimo da colina e ali mesmo ao meu lado,vi  uma nuvem linda. Parecia algodão doce, branca como a neve e macia como a lã da ovelha.

         Mas, de repente, virei-me e vi uma senhora sentada numa pedra a chorar.

         -O que foi? Porque está a chorar?-perguntei eu, muito preocupada.

         -Perdi-me do meu marido. Não sei o caminho de volta. Estoouu assustada. -explicou a pobre mulher, entre soluços e limpando as lágrimas a um lenço que lhe ofereci.

         -Como é o seu marido? É um homem que tinha um chapéu na cabeça, t´shirt e calções, olhos azuis e cabelo grisalho?

         -Sim, sim, sim! Onde o viu?-perguntou-me a mulher muito contente.

         -Mais ou menos a meio da encosta, isto é, aí uns 500 metros. -expliquei-lhe eu.

         Despedi-me da mulher e voltei-me para a nuvem.Humm! Apetece-me saltar ali para cima. Deve ser maravilhoso!

          Estava eu nestes pensamentos, quando ouvi alguém chamar:

         -Psit! Psit!

         Olhei em todas as direções e não vi ninguém. Alguém me puxou as calças. Olhei para baixo e, tal não foi o meu espanto, uma menina com um palmo de altura chamava-me:

         -Queres viajar comigo na minha nuvem?

         -Humm! Seria maravilhoso! Adorava.

         Assim, subimos para a nuvem que nos levou pelos céus. A paisagem era maravilhosa. A sensação inesquecível. Atravessámos montes e montanhas, rios e oceanos…

         Andámos durante horas, anoiteceu e, por fim, eu adormeci ali mesmo naquela nuvem (uma cama super- fofa).

          Na manhã seguinte, quando acordei, sentia-me leve, feliz e muito radiante. Mas já estava em casa e na minha cama.

           Na realidade, nem sei como aqui vim parar.


Catarina Veríssimo

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