Numa bela tarde de verão, estava deitada na minha espreguiçadeira a pensar na minha infância, quando alguém me bateu no ombro suavemente. Era a Catarina (uma rapariga um pouco mais alta do que eu, com olhos verdes e cabelos loiros), a minha melhor amiga.
-Descobri uma nuvem mágica no alto daquela colina.
Queres ir até lá?-perguntou-me a Catarina
muito entusiasmada.
-Mágica? Estás a delirar!? -disse eu admirada, mas ao mesmo
tempo muito curiosa.
-Não acreditas? Então, vamos até lá. -desafiou-me ela.
Peguei no carro (sim eu sei, pensam que ainda sou uma
criança, mas já tenho 22 anos) e lá fui eu a caminho da tal colina que a minha
amiga apontou.
Pelo caminho, encontrei um homem com aspeto horrível, tinha um
chapéu muito rasgado, roupa rota e cheia de nódoas. Como não tinha a certeza do
caminho, parei, dirigi-me ao tal homem a quem perguntei:
- Desculpe, para se ir para o cimo da colina,
posso seguir em frente?
O homem não me respondeu, sorriu, apontou para uma placa e
acenou-me. Então, eu segui o meu caminho.
Quando cheguei ao final da estrada, mesmo no cimo da colina
e ali mesmo ao meu lado,vi uma nuvem linda. Parecia algodão doce, branca como a
neve e macia como a lã da ovelha.
Mas, de repente, virei-me e vi uma senhora sentada numa
pedra a chorar.
-O que foi? Porque está a chorar?-perguntei eu, muito
preocupada.
-Perdi-me do meu marido. Não sei o caminho de volta.
Estoouu assustada. -explicou a pobre mulher, entre soluços e limpando as
lágrimas a um lenço que lhe ofereci.
-Como é o seu marido? É um homem que tinha um chapéu na
cabeça, t´shirt e calções, olhos azuis e cabelo grisalho?
-Sim, sim, sim! Onde o viu?-perguntou-me a mulher muito
contente.
-Mais ou menos a meio da encosta, isto é, aí uns 500 metros.
-expliquei-lhe eu.
Despedi-me da mulher e voltei-me para a nuvem.Humm!
Apetece-me saltar ali para cima. Deve ser maravilhoso!
Estava eu nestes
pensamentos, quando ouvi alguém chamar:
-Psit! Psit!
Olhei em todas as direções e não vi ninguém. Alguém me puxou
as calças. Olhei para baixo e, tal não foi o meu espanto, uma menina com um
palmo de altura chamava-me:
-Queres viajar comigo na minha nuvem?
-Humm! Seria maravilhoso! Adorava.
Assim, subimos para a nuvem que nos levou pelos céus. A
paisagem era maravilhosa. A sensação inesquecível. Atravessámos montes e
montanhas, rios e oceanos…
Andámos durante horas, anoiteceu e, por fim, eu adormeci ali
mesmo naquela nuvem (uma cama super- fofa).
Na manhã seguinte,
quando acordei, sentia-me leve, feliz e muito radiante. Mas já estava em casa e
na minha cama.
Na realidade, nem sei
como aqui vim parar.
Catarina Veríssimo
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