Há muito tempo atrás, havia, numa floresta
verdejante, uma casa de madeira, com muitas árvores em seu redor.
Nessa
casa, vivia um jovem com o cabelo preto como o carvão e olhos azuis profundos
como o oceano. Vivia na companhia do seu cão branco como a neve.
Eles
viviam muito bem, naquela casinha de madeira, no meio da floresta verde e silenciosa.
Viviam eles e os animais da floresta.
Um dia,
levantou-se uma grande tempestade, enquanto passeavam e foram abrigar-se.
No dia
seguinte, foram ver os destroços da tempestade. Havia muitas árvores caídas,
ramos no chão e muito lixo que tinha vindo da cidade que havia ali perto. Uma
cidade muito grande, com muito barulho e confusão. Todos os dias, ouvia-se o
barulho dos carros das pessoas atarefadas para irem pôr os miúdos na escola e,
de seguida, metiam-se no trânsito para irem para o trabalho. Ouviam-se as
sirenes dos carros da polícia, dos bombeiros e das ambulâncias; ouviam-se
aviões e todos os barulhos que se possam imaginar.
-Mas que
tempestade!- disse um rapaz que habitava na casinha na floresta.
- Acho
melhor voltarmos para casa.- afirmou ele.
No dia
seguinte, foram bater-lhe à porta.
-Já
vou!- gritou ele.
Viu quem
era e abriu a porta.
-Bom
dia!
Era um
senhor de fato e com um papel na mão.
-Bom
dia.- disse o senhor de fato.
-Quem é
você?- perguntou o rapaz.
-Sou um
Fiscal da Câmara..
-E o que
é que quer?-perguntou o rapaz.
-Quero
saber se os meus homens podem mandar a sua casa abaixo.
-Mas
porquê? - interrogou o rapaz.
-Para
construir uma autoestrada!- disse o senhor de fato.
-Mas, se
for assim, para onde vou?-perguntou o rapaz.
-Temos
umas casas de campo novas no outro lado da cidade e só é possível lá chegar se
construirmos a autoestrada!-disse o senhor de fato, muito entusiasmado.
-Não! Eu
vivo muito bem aqui com o meu cão.
-Pense
lá melhor! Isto está tudo destruído!- disse o homem de fato.
- Não! Uma
autoestrada na floresta não! É muito barulho para os animais da floresta.
- Uma
casinha no campo também é sossegado. Vá lá!-ainda tentou o homem de fato.
-Não,
recuso-me! Eu vivo muito bem aqui e nunca vou sair.
-Tens
razão, rapaz! Convenceste-me com o argumento dos animais.
Vamos rapazes! Vamos procurar outro sítio para construir a autoestrada.
E o
rapaz continuou a viver feliz com o seu cão ,na floresta, cujos animais
,certamente, lhe ficaram gratos.
Rui Casacão.
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